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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Vício



É preciso de lágrima
Do meu eu incompleto
Desfigurado
Do rasgar por dentro
Vicio meu
De sofrer
Me entregar à solidão

É preciso de cerveja
Da fumaça que corta a garganta
Do teu amor amargo
Do querer
Ausência tua
Droga desumana
Brusco perder de mim

Me falta a dor que une
A antropofagia do meu sentir
Sem sentido
Minha fidelidade
E toda a procura da carne
Os outros corpos
Meu apetite

Poesia é isso 
Meu amor
Entrega
Dor
Meu vício:
Sofrer
Morrer
Viver

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Sombra de um alguém

Venta chuva
Prato forte
Meu amarelar

Folhas seca
Distantes olhos
Um universo
Casa do coração

Pobre de mim
Que vivo na eterna saudade
Desse sorriso que nunca sorri
De um olhar que nem sei qual é

Sou eu sim
Casa vazia
Ausência do amor
Incompleto constante

Não há
Bem meu
Completo querer
Há tristeza
Dor
E um alguém
O desaprender do amar

Tantas esquina
Casa afora
Apodrecer sozinho
Sorriso máscara
Cigarros
Café
Eu
Penar

sábado, 30 de agosto de 2014

Acerola



Notas de algo desconhecido tocam repetidamente desde que atravessou em minha vida sem sobreaviso ou pedido de permissão para criar tantos sorrisos em meio a domingos. De uns dias para cá, coração meu tem sido tocado por uma delicadeza a dois que, se antes veio tão segundo plano, hoje me toma pensamento primeiro todo primeiro sol do dia. E eu que nem mais queria saber de afeto me enrolei entre os alaranjados cachos do seu cabelo e ando perdida em pensamentos por aí, entre janelas e janelas de ônibus e apartamentos.

Olha, já nem sei, mas tenho planejado tanto teus olhos e coração no meu, que acho que ando ficando deveras bastante abobalhada. E se passam os dias de longe, te digo com toda a minha sinceridade de quem já perdeu toda uma parte torta de orgulho passado adquirido, faz falta tua mão que nunca esteve na minha. Você vai rir se eu contar, mas já quase perdi a hora, a seriedade, o vazio e até o ponto do ônibus. E se de pouco em pouco você entra na minha vida com a paz do teu sorriso, de pouco em pouco me entrego e acho que deve existir sim um ponto bonito da vida que a gente vai chegar, assim, juntinho.

Menina, pequena, ai o teu sorriso no meu. Nem sei bem, mas há passos de uma dança dessa musica que tocou em nós com notas interminadas. Indeterminadas. E se vira amor, menina, nem sei, nem sei. Sei que de medo o coração já está gasto e de gasto, amor, já basta a vida. Nem o romance. Nem nós.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Dante



Me apaixono cotidianamente pelos teus passos pela casa, caminhando faceiro ao ritmo do blues que ecoa entre as paredes do meu quarto e invade cômodo a cômodo. Teu acordar matinal que arranha portas e me desperta entre doces miados, abrindo sorrisos de carinhos puros e inocentes ao nascer do sol.

É bonito te ver dia a dia, meu pequeno, desvendando o infinito do quintal, como se cada raio fosse o primeiro e cada toque ao chão o último. Tem me ensinado nessa pequena vida cheia de carinhos a imensidão de cada dia único. Tem me ensinado, meu pequeno amor feroz, que por trás desses olhos desconfiados, que as vezes me olha de tão longe e, as vezes, tão de dentro, que existe um amor maior que todas as coisas.

E esse teu jeito bonito que se enrosca na vida e me marca pelas pernas nas manhãs, pedindo colo como se teu afeto se concretizasse e concentrasse em meus braços, tem sido, nesse quase último ano, o maior sossego para minhas lágrimas e mãos. É você, minha pequena singela companhia, que meu conforto e querer casa sem cigarros e álcool todos os dias.

domingo, 3 de agosto de 2014

Ribbon sky

O que há aqui dentro é um puto vazio
Que me engasga a alma e me toma o riso
Uma angústia da incerteza do não saber
Essa falta da clareza tão necessária
Em um alguém assim de um tanto incerto
De uma falsa paz tortuosa
Que vai e vai e se perde e renasce sem fim

O que há aqui dentro é uma puta ilusão
Da necessidade de um olhar contínuo casado
Que me prenda e me rasgue dia após dias
De um falso amor que me tire os pés do chão
Me c(s)egue os olhos e a dor
Me prenda entre algemas de vasta imensidão
E me leve e me apegue e me jogue e transborde lado a lado

O que há aqui é um saco tremulo
Arrepiado pelo frio do vazio rasante
A mentira da calmaria que não existe
A paz do cigarro que queima e não mata

Há aqui não um eu
Mas um farsa
O teatro do sorrir
Sanidade hipócrita

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Cidadão comum

Daqui do outro lado
Sinal fechado
Meu olhar janela adentro
Crianças correndo no apartamento
Mulheres a meia luz
A escuridão do sono que brota

terça-feira, 15 de julho de 2014

Tempestade sentimental



Meu sorriso é um banho de chuva ao anoitecer
Entre olhos fatigados vermelhos
Explode em mim sentimento enterre
E essa dor que se move aqui dentro
E essa dor que me come 
Dia após dia 
Após dia apos


segunda-feira, 30 de junho de 2014

Porto margem

Diz para mim sobre esses olhos
De uma profundidade estranha
Que vaga por aí lavando caminhos
Olhos que cantam o sorriso de uma solidão
Dessa voz que cala corpo adentro
Dessa seriedade que me incomoda

sábado, 28 de junho de 2014

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Penuria


Sofre
Correr
Inconstante-mente
Perde um
Dois
Três
Entre mil e outros

Acho que enfim me perdi por aí
Entre todos os lados
Um mundo redondo
De aparadas arestas quadradas
Me queima o cigarro garganta adrento
Me dói o álcool que atravessa
E em um outro mundo
Distante
Aterrizo sem a confusão de você

Tenho me parido todos os dias
Revirando caminhos
Reformulando destinos
E todo esse renascer 
Me come o corpo
Mente
Todo meu ex ser
"São"

E um dia eu quero saber
Talvez
Até onde esse meu sentir
Deveras desenfreado
Irá me levar
Essa agonia
Louca
Que não sai de mim
Ah
Essa [...] Ela ainda há de me matar

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Spazio



Vai distante
Tão turvo olhar
Corpo estranho
Teu eu inconstante
Me falta jeito
Essa falta de lidar

Cotidiano variante
Incide em mim
Tua calma ausente
Teu eu que não me encontro
Teu eu insolúvel em mim

Perturba a paz
Cisma nascente
Intranquilos olhos vazios
Não me traga metades
Não sou de pedaços
Me desfaço nos meios termos

No fim
Saudade
As vezes tua presença
Assim confusa
Desordenada
Me dói igual ausência
Antes fosse carne
Mas não
Teus olhos

domingo, 26 de janeiro de 2014

Domingo

Morremos aos domingos
Com a dor fina no peito
O escurecer melancolia do dia
A calmaria dolorosa
Que arrebata
Embaralha o mundo por dentro
Nos tira a paz
Aperreia a alma
Faz bagaceira
Pede aquele velho cigarro
O morrer calmante de cada dia

Gira meu corpo no frio do colchão
A música dolorosa que acalma que reconforta
A lágrima que chaga ao olho e não vem
Os amores que brotam inconstantes
A duvidas
O saber do não saber de si
Que se exalta
Que me come
Que mata

Eu quero a boemia do bar da esquina
Acabar esse vazio que vai e vem no álcool
Me perder nas luzes amarelas da melancolia
A música triste
A vida do invisível                                                                      
O esquecer que se acaba no lembrar
O tudo e o nada no infinito que não sou

Ontem assisti um filme triste
Me permiti uma poesia alegre
Fingi minha alegre melancolia
Entre passos, samba
O coração não é uma caixa que se preenche
Nada sou

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Oração matinal

Tenho dado um tempo do meu eu esvaziado
Do sentimento incontrolado
De tudo que é meu e não posso
Daquilo que é demais de se sentir

Tenho dado um tempo da dor
Dos versos
Das lágrimas
De tudo que é demais

Deixei de lado o que não é necessário
Tenho dado um tempo da própria vida
Do sentir
Do teu querer
Do teu eu cotidiano descartável

Fiz as malas
Te guardei em uma caixa
Te tranquei em meu passado
Fui sem volta

Meu amor
Me desprendi do teu sorriso
Felicidade
Hoje
Habita aqui

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Meu eu esvaziado



Grita meu eu ao som da melodia que invade meu corpo transpassando o vazio de uma dor antiga que dia após dia penetrou em minha alma e fez casa forte. Habitam aqui restos de um amargo tempo em que se vivia com leveza. Dias menos cinzas, cores e cheiros davam ao viver um frescor diferente do que hoje é existir. Parece que esqueci o sabor das coisas. É na mais vaga imensidão do vazio que me encontro, se dele tento fugir, nele me prendo cotidianamente sem me permitir sentir o mundo.

De dentro do meu poço, tal ponto de conforto doloroso que a mim presenteei, fechei-me ao mundo como quem não quer volta e, ao som triste dos meus passos, deixo-me ir como quem respira por falta de escolha. O peso forte desse cansativo viver sem alma, sem nada, sem rosto, sem cara, sem canto, sem casa, sem eu...sem razão. Arrepia minha pele a doce e precisa sensação de me cuspir. São em minhas linhas que me tiro de mim e, ainda assim, me projetando nesse mundo alheio, não encontro sombras de tudo aquilo meu que se perdeu.

Levo em minha alma o peso do nada. Quão doloroso é sentir o vazio? 

Um peso do desguarnecido me corrói existencialmente roubando-me por dentro. A cada toque, a cada olhar, a cada nada. O nada me consome e minha alma grita pedindo para tirá-la desse abismo imenso que ela mesma se colocou. São os dias, as horas, é o tempo passando. Eu vou vivendo a cada minuto o peso de uma existência do que poderia ser e não foi.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Desvanecer

Atirar-me-ei da janela mais alta
Em minha rota de fuga
Jogo-me horizonte a fora
Paralela ao universo caminho em ausente regresso

Entre o abafado dos corpos estreitos
Perco-me distante
Se o suor do outro em pele derrete
Lagrima minha faz cativeiro por trás das lentes escuras

E são tantas vozes
Há um vazio na multidão
Há um corpo que não se vê
Ecos distantes de um mundo em que não me encaixo

E nas esquinas
Entre os rabiscos emaranhados
No barulho urbano
Na menina dos olhos
Meu vazio se confunde com teu ser

Teu nada invisível
Tua presença cinza
Poeta marginal
O nada

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Iacitatâ

Quando meu pranto quer reza
E rola em face
Alimentado pelo pesar
Desespero
Entrega

O grito de fora para dentro
No silêncio das quatro paredes
Na musica tênue ao fundo
Na casa forte
No olhar perdido

Tais costas jovens
Doídas
O peso de mil anos
Três pilastras
Queria eu me sustentar
Essa sensação do teu perder me vai além do medo do escuro

Há uma casa para o vazio
Para a falta
Para o que desconheço
Para o que eu nunca senti
Nem sei o que é

No não cair descobri
Nos teus braços senti
E são teus olhos minha casa
Tua casa o meu lar

Te sustenta que ainda não é hora
Faz de minhas lágrimas toda a força para ser
Teu existir
Finito
Minha fragilidade








Tua dor









Comeu meus miolos
Quebrou minhas pernas
Roubou-me o chão

sábado, 24 de agosto de 2013

Corpomóvel



Não irá mudar
A dor fina no peito quando ecoa a sirene na cidade
E ao cair da chuva do outro lado da janela
Lembranças de outrora me tomam em melancolia sem fim 
Em sua ciranda desordenada
Corpos desnudos de viver se entrecruzam nas ruas
Alimentadas em seu mundo insano fazem-se invisíveis em si 
A brisa gélida corta minha face brincando em meus negros
Perdidos em luzes turvas meus olhos vagam pelo estranho
O desconhecido que grita e gira na esquina
O que é nosso e a gente não vê
Tá tudo errado 
Tá tudo errado e não há espaço para quem tem coragem
Corações sempre amáveis morrem em gaiolas
Há sertão para quem deseja imensidão nos olhos
Tá tudo errado e me perco em outras janelas 
Aquele rosto
Outro
Confuso trocado
O desamor matou a humanidade no desesperar

domingo, 18 de agosto de 2013

Incoerente inconstante

Cai o céu sobre os prédios
Vem você tirando calmaria
O que se trata
Nos últimos dias
Inquietos
Tem estado muito mais em meu corpo que nos outros

Inoportuna e bem vinda presença
Estive em ti cotiadiamente
Recuperando a lembrança do teu cheiro em meu abraço
Inquieta me pergunto sobre esse teu ser
Nova e desconhecida
Estranha não amada
Teu olhar se confundiu em tão novos olhos

Eu que não te amo tenho pensado em você
Tão nova em mim roubou de minh'alma o lar
Mente tão turva mente
De você quero mil passos além
De você quero mil passos aqui

Menina
Morena
Teus olhos negros
Tão cega visão
Perigo presente
Te quero tão aqui
Te quero tão lá

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Da janela

Vagando pela rua
Entre pernas transeuntes
Procuro em rostos e costas
Existência vaga
Teu cheiro
Teu ser

Meu cigarro
Quase apagado
Preso em meus dedos
Amarrado como a vida
Que vem
Sufoca
Mata

Viver é demasiada dor de cabeça
E o passar dos dias
Lentos
Teus doces
Raros lábios
Me levam a um tempo que era de você

Perdido na memória de outras
Teu corpo se confunde
Entre a falta de importância cotidiana
Tenho te deixando entre lembranças
Teu vir sempre tão confuso
Ah, minha doce serenidade
Para onde levou

Meus olhos firmes no vazio
Voltados a vagas janelas
Perdidos entre as memórias do teu rosto
Caídos sobre as velhas fotos
Caídos onde se perdeu o amor
Tenho me despedido diariamente
Tenho me despido diariamente

Este que em teu gosto amargo nos tira a fome
Este que entre pensares nós toma o sono
Este que nos tira de nós
Teu eu em outros olhos
Teu ser perdido entre esquinas
Teu cheiro perdido entre corpos
Os outros
São todos ocos

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Delice

Faltaram palavras
Encheu peito de lágrima
Perdeu chão
Se foi sorriso
Calou

Veio o vento
Amigo do tempo
Carrasco dos homens
Quis tomar meu bem

Aonde irá
Minha pequena
O cheiro do teu sorriso
Em mim
Tão forte
Não há braços no mundo
Não há doçura se não a tua

E aqueles domingo de pé de árvore
O doce do leite
A lenha queimada escapando ao céu
O que fará
Meu deus
Com meu abrigo
Meu abrigo ranzinza
Meu delicado abrigo
Meu inicio
Minha imensidão

O tempo
Minha senhora
Em teus cabelos brancos
Lábios meus em tua testa
Criança no meu abraços
Menina
Senhora
Pequena índia
Meu amor
Te guarda em mim
Ainda não é teu o partir