Corpomóvel
Não irá mudar
A dor fina no peito quando ecoa a sirene na cidade
E ao cair da chuva do outro lado da janela
Lembranças de outrora me tomam em melancolia sem fim
Em sua ciranda desordenada
Corpos desnudos de viver se entrecruzam nas ruas
Alimentadas em seu mundo insano fazem-se invisíveis em si
A brisa gélida corta minha face brincando em meus negros
Perdidos em luzes turvas meus olhos vagam pelo estranho
O desconhecido que grita e gira na esquina
O que é nosso e a gente não vê
Tá tudo errado
Tá tudo errado e não há espaço para quem tem coragem
Corações sempre amáveis morrem em gaiolas
Há sertão para quem deseja imensidão nos olhos
Tá tudo errado e me perco em outras janelas
Aquele rosto
Outro
Confuso trocado
O desamor matou a humanidade no desesperar
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