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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Sombra de um alguém

Venta chuva
Prato forte
Meu amarelar

Folhas seca
Distantes olhos
Um universo
Casa do coração

Pobre de mim
Que vivo na eterna saudade
Desse sorriso que nunca sorri
De um olhar que nem sei qual é

Sou eu sim
Casa vazia
Ausência do amor
Incompleto constante

Não há
Bem meu
Completo querer
Há tristeza
Dor
E um alguém
O desaprender do amar

Tantas esquina
Casa afora
Apodrecer sozinho
Sorriso máscara
Cigarros
Café
Eu
Penar

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Retalhos

Talvez seja aquela maldita crise dos 20 que muita gente por aí vive dando como regra de vida, o número fechado adulto (ou quase isso). Mas essa aflição eterna já me passa a garganta em uma agonia sofrida que resulta na falta de paciência para tudo aquilo que me tire do meu conforto quase inexistente nos últimos tempos. 

Tenho transitado entre muitas janelas ônibus afora, muitas janelas aviões afora, muitas ruas, muitos quartos, muitas camas. Não há canto nenhum que eu me encaixe e, se eu tenho sorrido muito por ai, é puro desespero pela falta de um sentir que abre um vazio imenso corpo adentro e me tira o sono - ou me faz dormir em excesso.

Tenho sido tanta coisa não sendo nada e me apegado em qualquer canto que me resgate em alguma coisa que me faça um pouco mais gente, um pouco mais distante dessa solidão acompanhada por risos não sinceros. Tem sido fim de tarde todos os dias e mesmo que o sol escaldante desse calor de inferno seja mais um motivo para um pouco mais de impaciência, há um frio que corta a alma e fere toda a imensidão do meu sentir. 

Ando me jogando tanto nesse sol seguinte que me bate a dúvida entre o tentar ou sossegar coração de alguma coisa incerta que nem eu mesma sei mais o tamanho do querer. Armário, parede, casa, eu, ser, um todo desmontado em esquinas perdidas por aí. Então pegue, pegue o pedaço de mim que quiser, qualquer falta que faça, bom, não fará.

sábado, 30 de agosto de 2014

Acerola



Notas de algo desconhecido tocam repetidamente desde que atravessou em minha vida sem sobreaviso ou pedido de permissão para criar tantos sorrisos em meio a domingos. De uns dias para cá, coração meu tem sido tocado por uma delicadeza a dois que, se antes veio tão segundo plano, hoje me toma pensamento primeiro todo primeiro sol do dia. E eu que nem mais queria saber de afeto me enrolei entre os alaranjados cachos do seu cabelo e ando perdida em pensamentos por aí, entre janelas e janelas de ônibus e apartamentos.

Olha, já nem sei, mas tenho planejado tanto teus olhos e coração no meu, que acho que ando ficando deveras bastante abobalhada. E se passam os dias de longe, te digo com toda a minha sinceridade de quem já perdeu toda uma parte torta de orgulho passado adquirido, faz falta tua mão que nunca esteve na minha. Você vai rir se eu contar, mas já quase perdi a hora, a seriedade, o vazio e até o ponto do ônibus. E se de pouco em pouco você entra na minha vida com a paz do teu sorriso, de pouco em pouco me entrego e acho que deve existir sim um ponto bonito da vida que a gente vai chegar, assim, juntinho.

Menina, pequena, ai o teu sorriso no meu. Nem sei bem, mas há passos de uma dança dessa musica que tocou em nós com notas interminadas. Indeterminadas. E se vira amor, menina, nem sei, nem sei. Sei que de medo o coração já está gasto e de gasto, amor, já basta a vida. Nem o romance. Nem nós.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Dante



Me apaixono cotidianamente pelos teus passos pela casa, caminhando faceiro ao ritmo do blues que ecoa entre as paredes do meu quarto e invade cômodo a cômodo. Teu acordar matinal que arranha portas e me desperta entre doces miados, abrindo sorrisos de carinhos puros e inocentes ao nascer do sol.

É bonito te ver dia a dia, meu pequeno, desvendando o infinito do quintal, como se cada raio fosse o primeiro e cada toque ao chão o último. Tem me ensinado nessa pequena vida cheia de carinhos a imensidão de cada dia único. Tem me ensinado, meu pequeno amor feroz, que por trás desses olhos desconfiados, que as vezes me olha de tão longe e, as vezes, tão de dentro, que existe um amor maior que todas as coisas.

E esse teu jeito bonito que se enrosca na vida e me marca pelas pernas nas manhãs, pedindo colo como se teu afeto se concretizasse e concentrasse em meus braços, tem sido, nesse quase último ano, o maior sossego para minhas lágrimas e mãos. É você, minha pequena singela companhia, que meu conforto e querer casa sem cigarros e álcool todos os dias.

domingo, 3 de agosto de 2014

Ribbon sky

O que há aqui dentro é um puto vazio
Que me engasga a alma e me toma o riso
Uma angústia da incerteza do não saber
Essa falta da clareza tão necessária
Em um alguém assim de um tanto incerto
De uma falsa paz tortuosa
Que vai e vai e se perde e renasce sem fim

O que há aqui dentro é uma puta ilusão
Da necessidade de um olhar contínuo casado
Que me prenda e me rasgue dia após dias
De um falso amor que me tire os pés do chão
Me c(s)egue os olhos e a dor
Me prenda entre algemas de vasta imensidão
E me leve e me apegue e me jogue e transborde lado a lado

O que há aqui é um saco tremulo
Arrepiado pelo frio do vazio rasante
A mentira da calmaria que não existe
A paz do cigarro que queima e não mata

Há aqui não um eu
Mas um farsa
O teatro do sorrir
Sanidade hipócrita

terça-feira, 15 de julho de 2014

Tempestade sentimental



Meu sorriso é um banho de chuva ao anoitecer
Entre olhos fatigados vermelhos
Explode em mim sentimento enterre
E essa dor que se move aqui dentro
E essa dor que me come 
Dia após dia 
Após dia apos


sábado, 28 de junho de 2014

domingo, 6 de abril de 2014

Tanto nada

No meio desse mundo tanto
Tenho me perguntado tanto
Sobre o sentimentalismo tanto
Assim um tanto profundo
Em caminho tanto vai me levar

E é tanta dor
De tanto penar
De tanto cigarro
De tanto álcool pra dentro
Do tanto expressar e não ser

É um tanto de mágoa
Que deságua em tanto do ser
Sofrendo um tanto do tempo
Que de tanto passar
Tem tanto do tanto
De um tanto de passado de nós

domingo, 26 de janeiro de 2014

Domingo

Morremos aos domingos
Com a dor fina no peito
O escurecer melancolia do dia
A calmaria dolorosa
Que arrebata
Embaralha o mundo por dentro
Nos tira a paz
Aperreia a alma
Faz bagaceira
Pede aquele velho cigarro
O morrer calmante de cada dia

Gira meu corpo no frio do colchão
A música dolorosa que acalma que reconforta
A lágrima que chaga ao olho e não vem
Os amores que brotam inconstantes
A duvidas
O saber do não saber de si
Que se exalta
Que me come
Que mata

Eu quero a boemia do bar da esquina
Acabar esse vazio que vai e vem no álcool
Me perder nas luzes amarelas da melancolia
A música triste
A vida do invisível                                                                      
O esquecer que se acaba no lembrar
O tudo e o nada no infinito que não sou

Ontem assisti um filme triste
Me permiti uma poesia alegre
Fingi minha alegre melancolia
Entre passos, samba
O coração não é uma caixa que se preenche
Nada sou

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

'O segredo dos Lírios'



Você já amou 
Pela beleza do gesto? 
Você já mordeu 
A maçã com todos os dentes? 
Pelo sabor do fruto, 
A sua doçura e seu gesto 
Já se perdeu algumas vezes?

Complicado, delicado, sofrido...ou, às vezes, até pode ser bem simples. Caramba, nem dá pra negar meus 'mimimis' e lágrimas assistindo esse curta. Qualquer um que passa pela situação ou sabe que vai passar um dia sente, no mínimo, um apertinho no peito. Dentre os videos que eu vi sobre a temática é sem dúvidas o que mais me emociona e que guardo com carinho pra assistir vez ou outra.
De um jeito rápido ele demonstra as dificuldades das famílias no mundo heteronormativo em aceitar, conviver e o comportamento ao saber que tem um filho/filha gay, os diversos apegos para a rejeição, reações, culpas. A relação entre medo do julgamento da sociedade, os conceitos morais conservadores e errôneos e o amor incondicional de mães que aprenderam ao longo do tempo que as coisas são totalmente diferentes de como o patriarcalismo e a homofobia prega.
Infelizmente a gente sabe que nem sempre é assim, infelizmente a gente sabe como é difícil se colocar nessa sociedade, como muitas vezes é difícil nos impor dentro de nossa própria casa, como é difícil mostrar para essas pessoas tão próximas de nós que não somos monstros, mas sim, queremos apenas amar, da nossa forma. Doloroso, mas as vezes o maior preconceito que enfrentamos vem de onde esperamos acolhimento, compreensão e apoio diante de todos os problemas que a sociedade coloca para quem é homossexual.
Mas o que ainda trás força é que na maioria das vezes o respeito vem como questão de tempo e, apesar de todos os desgastes, vale saber que você não tem que exercer uma vida dupla. Os passos são lentos, mas de Stonewall pra cá as coisas mudaram muito, apesar de todo preconceito, aos poucos conseguimos nosso espaço na sociedade e, lutando por eles, estamos a caminho de uma sociedade igualitária.

Por experiência própria eu digo o quanto é doloroso se assumir diante da sociedade, como é complicado ouvir inúmeras palavras que machucam muito e, ainda depois de muito tempo, continua ecoando vez ou outra na cabeça. É doloroso ver a pessoa que você ama tanto sofrendo e dizendo que você é a causadora daquilo e, sim, vez ou outra você realmente sente culpa por algo que não há culpa alguma. Mas é só questão de tempo, aos poucos as coisas se ajeitam, e nossa, é um alivio muito grande.