Talvez seja aquela maldita crise dos 20 que muita gente por aí vive dando como regra de vida, o número fechado adulto (ou quase isso). Mas essa aflição eterna já me passa a garganta em uma agonia sofrida que resulta na falta de paciência para tudo aquilo que me tire do meu conforto quase inexistente nos últimos tempos.
Tenho transitado entre muitas janelas ônibus afora, muitas janelas aviões afora, muitas ruas, muitos quartos, muitas camas. Não há canto nenhum que eu me encaixe e, se eu tenho sorrido muito por ai, é puro desespero pela falta de um sentir que abre um vazio imenso corpo adentro e me tira o sono - ou me faz dormir em excesso.
Tenho sido tanta coisa não sendo nada e me apegado em qualquer canto que me resgate em alguma coisa que me faça um pouco mais gente, um pouco mais distante dessa solidão acompanhada por risos não sinceros. Tem sido fim de tarde todos os dias e mesmo que o sol escaldante desse calor de inferno seja mais um motivo para um pouco mais de impaciência, há um frio que corta a alma e fere toda a imensidão do meu sentir.
Ando me jogando tanto nesse sol seguinte que me bate a dúvida entre o tentar ou sossegar coração de alguma coisa incerta que nem eu mesma sei mais o tamanho do querer. Armário, parede, casa, eu, ser, um todo desmontado em esquinas perdidas por aí. Então pegue, pegue o pedaço de mim que quiser, qualquer falta que faça, bom, não fará.
Notas de algo desconhecido tocam repetidamente desde que atravessou em minha vida sem sobreaviso ou pedido de permissão para criar tantos sorrisos em meio a domingos. De uns dias para cá, coração meu tem sido tocado por uma delicadeza a dois que, se antes veio tão segundo plano, hoje me toma pensamento primeiro todo primeiro sol do dia. E eu que nem mais queria saber de afeto me enrolei entre os alaranjados cachos do seu cabelo e ando perdida em pensamentos por aí, entre janelas e janelas de ônibus e apartamentos.
Olha, já nem sei, mas tenho planejado tanto teus olhos e coração no meu, que acho que ando ficando deveras bastante abobalhada. E se passam os dias de longe, te digo com toda a minha sinceridade de quem já perdeu toda uma parte torta de orgulho passado adquirido, faz falta tua mão que nunca esteve na minha. Você vai rir se eu contar, mas já quase perdi a hora, a seriedade, o vazio e até o ponto do ônibus. E se de pouco em pouco você entra na minha vida com a paz do teu sorriso, de pouco em pouco me entrego e acho que deve existir sim um ponto bonito da vida que a gente vai chegar, assim, juntinho.
Menina, pequena, ai o teu sorriso no meu. Nem sei bem, mas há passos de uma dança dessa musica que tocou em nós com notas interminadas. Indeterminadas. E se vira amor, menina, nem sei, nem sei. Sei que de medo o coração já está gasto e de gasto, amor, já basta a vida. Nem o romance. Nem nós.
Me apaixono cotidianamente pelos
teus passos pela casa, caminhando faceiro ao ritmo do blues que ecoa entre as
paredes do meu quarto e invade cômodo a cômodo. Teu acordar matinal que arranha
portas e me desperta entre doces miados, abrindo sorrisos de carinhos puros e
inocentes ao nascer do sol.
É bonito te ver dia a dia, meu
pequeno, desvendando o infinito do quintal, como se cada raio fosse o primeiro
e cada toque ao chão o último. Tem me ensinado nessa pequena vida cheia de carinhos
a imensidão de cada dia único. Tem me ensinado, meu pequeno amor feroz, que por
trás desses olhos desconfiados, que as vezes me olha de tão longe e, as vezes,
tão de dentro, que existe um amor maior que todas as coisas.
E esse teu jeito bonito que se
enrosca na vida e me marca pelas pernas nas manhãs, pedindo colo como se teu
afeto se concretizasse e concentrasse em meus braços, tem sido, nesse quase último
ano, o maior sossego para minhas lágrimas e mãos. É você, minha pequena singela companhia,
que meu conforto e querer casa sem cigarros e álcool todos os dias.
O que há aqui dentro é um puto vazio
Que me engasga a alma e me toma o riso
Uma angústia da incerteza do não saber
Essa falta da clareza tão necessária
Em um alguém assim de um tanto incerto
De uma falsa paz tortuosa
Que vai e vai e se perde e renasce sem fim
O que há aqui dentro é uma puta ilusão
Da necessidade de um olhar contínuo casado
Que me prenda e me rasgue dia após dias
De um falso amor que me tire os pés do chão
Me c(s)egue os olhos e a dor
Me prenda entre algemas de vasta imensidão
E me leve e me apegue e me jogue e transborde lado a lado
O que há aqui é um saco tremulo
Arrepiado pelo frio do vazio rasante
A mentira da calmaria que não existe
A paz do cigarro que queima e não mata
Há aqui não um eu
Mas um farsa
O teatro do sorrir
Sanidade hipócrita
Complicado, delicado, sofrido...ou, às vezes, até pode ser bem simples. Caramba, nem dá pra negar meus 'mimimis' e lágrimas assistindo esse curta. Qualquer um que passa pela situação ou sabe que vai passar um dia sente, no mínimo, um apertinho no peito. Dentre os videos que eu vi sobre a temática é sem dúvidas o que mais me emociona e que guardo com carinho pra assistir vez ou outra. De um jeito rápido ele demonstra as dificuldades das famílias no mundo heteronormativo em aceitar, conviver e o comportamento ao saber que tem um filho/filha gay, os diversos apegos para a rejeição, reações, culpas. A relação entre medo do julgamento da sociedade, os conceitos morais conservadores e errôneos e o amor incondicional de mães que aprenderam ao longo do tempo que as coisas são totalmente diferentes de como o patriarcalismo e a homofobia prega.
Infelizmente a gente sabe que nem sempre é assim, infelizmente a gente sabe como é difícil se colocar nessa sociedade, como muitas vezes é difícil nos impor dentro de nossa própria casa, como é difícil mostrar para essas pessoas tão próximas de nós que não somos monstros, mas sim, queremos apenas amar, da nossa forma. Doloroso, mas as vezes o maior preconceito que enfrentamos vem de onde esperamos acolhimento, compreensão e apoio diante de todos os problemas que a sociedade coloca para quem é homossexual.
Mas o que ainda trás força é que na maioria das vezes o respeito vem como questão de tempo e, apesar de todos os desgastes, vale saber que você não tem que exercer uma vida dupla. Os passos são lentos, mas de Stonewall pra cá as coisas mudaram muito, apesar de todo preconceito, aos poucos conseguimos nosso espaço na sociedade e, lutando por eles, estamos a caminho de uma sociedade igualitária.
Por experiência própria eu digo o quanto é doloroso se assumir diante da sociedade, como é complicado ouvir inúmeras palavras que machucam muito e, ainda depois de muito tempo, continua ecoando vez ou outra na cabeça. É doloroso ver a pessoa que você ama tanto sofrendo e dizendo que você é a causadora daquilo e, sim, vez ou outra você realmente sente culpa por algo que não há culpa alguma. Mas é só questão de tempo, aos poucos as coisas se ajeitam, e nossa, é um alivio muito grande.