O que há aqui dentro é um puto vazio
Que me engasga a alma e me toma o riso
Uma angústia da incerteza do não saber
Essa falta da clareza tão necessária
Em um alguém assim de um tanto incerto
De uma falsa paz tortuosa
Que vai e vai e se perde e renasce sem fim
O que há aqui dentro é uma puta ilusão
Da necessidade de um olhar contínuo casado
Que me prenda e me rasgue dia após dias
De um falso amor que me tire os pés do chão
Me c(s)egue os olhos e a dor
Me prenda entre algemas de vasta imensidão
E me leve e me apegue e me jogue e transborde lado a lado
O que há aqui é um saco tremulo
Arrepiado pelo frio do vazio rasante
A mentira da calmaria que não existe
A paz do cigarro que queima e não mata
Há aqui não um eu
Mas um farsa
O teatro do sorrir
Sanidade hipócrita
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