terça-feira, 16 de julho de 2013

Desabitar



Nesses dias calmos
Em que morre a coragem
Vaga pelo mundo a essência do ser
Solitário
Inerte entre as esquinas
Procura em seu vazio
Descompassado
Algum motivo que faça o valor

De tão cansado o poeta já não ama
E as lágrimas do sofrer parecem secar
A dor
Eterna companheira
Lembrou em seu restar
Depois do amor vem o vazio
Talvez melhor seja o amar

Amarelos sorrisos
De uma vaga esperança
Viu ao longe peito encher
Cantou o medo 
Triste
Doloroso
Passado
Virou a esquina
De vazio em vazio se entregou

Falem-me sobre o poeta
Das tão lindas histórias de brilhos nos olhos
Contem-me sobre o entregar
Todas essas histórias de amores tolos
Estes
Que vem e vão
Que na esquina da vida
Fizeram o poeta
Fizeram o chorar

Foi o poeta por aí
Cabeça baixa
Corpo fechado
Morreu na esquina
Álcool
Cigarros
Ausente amor

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